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MUSEU KOLUMBA EM COLÓNIA

Numa cidade com o imenso manancial histórico de Colónia, na Alemanha, o arquitecto suíço Peter Zumthor criou o Museu Kolumba para o Arcebispado católico local. A construção revela a mestria e as qualidades do arquitecto, numa obra em que as intenções foram todas elas bem programadas.

O Museu Kolumba encontra-se num dos enfiamentos que dão para a praça onde se encontra a célebre Catedral gótica de Colónia – construção iniciada em 1240 e finalizada em 1880 – numa rua de um dos quarteirões mais feios e incaracterísticos da cidade, situada na margem esquerda do rio Reno.

O museu tem uma magia especial, não só nas suas áreas públicas de exposição e outros serviços, nos locais de culto como também nas áreas privadas, ocupadas pelos mais altos responsáveis do Arcebispado de Colónia, o cliente do arquitecto suíço Peter Zumthor.

Na rua, olhando para o Museu Kolumba, o que sobressai é o imenso sobrescrito criado por Peter Zumthor, no sentido em que a construção do arquitecto suíço surge como um bem desenhado envolto, que guarda e protege diferentes patrimónios culturais. Não podemos de deixar de referir a forma como o projecto soube organizar fisicamente a relação de um edifício novo que tem de integrar e harmonizar estruturas já existentes, como também na sua coexistência espacial com a envolvente edificada e pouco harmoniosa da zona da cidade em que se insere.

A construção de Peter Zumthor usa uma pedra específica, fornecida por uma pedreira dinamarquesa, tendo merecido, alguma da sua parte, trabalho manual. O conjunto global resulta de um estudo minucioso e prolongado, elaborado pelo escritório de Zumthor, relativamente ao comportamento qualitativo da pedra ao nível da performance e do equilíbrio estético.

O “sobrescrito” criado deixa à vista algumas das paredes de um legado histórico medieval, com janelas de arcos quebrados, apresenta umas enormes mas discretas janelas envidraçadas e um curioso padrão de perfurações na parede, que ganha maior e mais belo significado no interior do edifício, somente no piso térreo.

Dentro do museu apercebemo-nos da complexidade do projecto de Peter Zumthor, não só porque ele envolve o que restou de uma igreja gótica – destruída pelos bombardeamentos dos aliados no desfecho da Segunda Guerra Mundial – assim como uma capela construída no final dos anos 40. É no piso térreo que melhor nos apercebemos da exigência deste projecto, pensado e designado durante 10 anos – 1997-2007 –  e que teve de assimilar, preservar e potenciar achados arqueológicos de grande significado para a história da cidade e das suas gentes.

No primeiro e no segundo piso encontram-se as áreas de exposição do Museu Kolumba, onde destacamos o design de iluminação, a performance acústica das salas, a climatização dos ambientes e a eficaz simplicidade na escolha dos materiais de construção.

O Museu Kolumba tem um espólio artístico valioso abrangendo um amplo, em termos de períodos históricos, e diversificado legado de produção de Arte. Merece bem a visita por questões de interesse artístico.

Realçamos por fim, no exterior, nos pátios, a presença de árvores plantadas num chão coberto de gravilha e de algumas peças de escultura, que contribuem para a serenidade e o conforto visual que uma estrutura de um museu precisa para se relacionar diariamente com os habitantes locais assim como com os visitantes.

 

Projecto de Arquitectura: Peter Zumthor
Texto: Tiago Krusse
Fotografia: DESIGN MAGAZINE