ENTREVISTA: TIAGO KRUSSE
FOTOGRAFIA: MAX ZAMBELLI

 

Onde e quando se encontraram?

Encontrámo-nos na universidade em Roma, no período de estudantes. Frequentávamos os dois a universidade de arquitectura.

Começou como uma amizade, uma parceria ou uma intenção de trabalharem em conjunto?

Foi uma amizade que se tornou num relacionamento e que cresceu desde então numa experiência profissional partilhada.

Eram colegas de universidade?

Sim, eramos.

Qual é a vossa formação?

Estudámos ambos arquitectura e design porque é de facto uma maneira de percebermos a sociedade em que vivêmos.

Mas porquê arquitectura e design?

Para compreendermos os sonhos das pessoas.

Como é que descrevem aquela atmosfera universitária?

Anos cheios de vida, de coisas para fazer, para aprender, para ver e para descobrir. A curiosidade sempre nos guiou desde o primeiro momento.

Foram tempos estimulantes e de aprendizagem?

Sem dúvida! Recordamos como anos em que estudávamos muito mas que ao mesmo tempo queríamos fazer alguma coisa nossa, fazer design. Para rirmos juntos. Tempos para viver.

De quem receberam a paixão para seguirem as vossas vidas profissionais como arquitectos e designers?

Viajar foi sempre a nossa primeira fonte de inspiração e a paixão do nosso trabalho. Conhecer pessoas, visitar lugares longínquos, deixarmo-nos “contaminar” e por fim sermos surpreendidos. Sem dúvidas que é a melhor forma de não perder o desejo de trabalhar e de fazer design.

Por que razão decidiram abrir a Palomba Serafini Associati?

Começámos por trabalhar juntos e descobrimos que as nossas ideias se tornavam mais fortes e mais completas como uma dupla. Como as duas faces da mesma moeda, as nossas duas visões uniram-se na perfeição e com naturalidade.

O vosso trabalho apresenta sempre uma grande quantidade de referências culturais mas também uma excelência em trabalhar os materiais e um perfeito entendimento da inovação que advém da exploração de novas técnicas de produção e evoluções tecnológicas. Como é que conseguem isso? É apenas trabalho da vossa pesquisa e do desenvolvimento de ideias?

O nosso trabalho é o resultado da nossa experiência, podemos dizer que vem directamente dessa experiência. É o resultado de influências culturais, de pesquisa tecnológica – em que continuadamente nos asseguramos -, das inovações – que são essenciais em design e arquitectura –. Nós trabalhamos misturando todas estas coisas porque é a melhor maneira de alcançarmos o melhor resultado.

A pesquisa em materiais é uma das chaves do vosso sucesso?

Claro! Trabalhar com materiais diferentes, procurar novas soluções e esticando sempre os limites um pouco mais a frente. Esta é a forma correcta e a única maneira para nós trabalhamos. O sucesso vem como consequência, é o resultado de um trabalho feito com paixão, cuidado e elevado profissionalismo.

Trabalhando para diferente tipos de empresas dá-vos a oportunidade de alargar a visão em distintos segmentos de produto. Como classificam esta infindável variedade de produtos que temos nos nossos dias?

Como podem ver, no nosso dia-a-dia há mais e mais difusão, quer na arquitectura como no design. É a demonstração de uma sociedade que dia após dia é mais informal e progressiva. Noutras palavras, a sociedade em si está à procura de coisas novas. Ao invés de descrever e de qualificar o que já existe, nós acreditamos que é sermos melhores, e certamente mais estimulante, pensarmos no que virá… e trabalhar para isso.

O vosso trabalho tem sido reconhecido por todo o mundo nestas últimas duas décadas. É realmente importante adquirir este reconhecimento ou aquilo que tomam como importante é o facto do vosso trabalho se encontrar sempre aos mais altos níveis de execução?

Somos inspirados pela paixão pelo trabalho que fazemos. Sermos designers e arquitectos significa termos a possibilidade de melhorarmos a vida de outras pessoas através dos produtos que criamos. Por isso estamos saitisfeitos por recebermos prémios e é claro que eles são importantes. Eles são, antes de tudo o mais, o fruto do nosso trabalho como designers.

O que de facto representa para vocês este reconhecimento na XXII edição do Compasso d’Oro pelo vosso trabalho no Lab 03 para a KOS e pela colecção Faraway para a Zucchetti.KOS?

Uma grande emoção. Felicidade. O Compasso d’Oro é o prémio de design mais antigo do mundo. Estamos muito satisfeitos!

Na vossa opinião quais são as linhas orientadoras para futuros projectos de design e de arquitectura?

Arquitectos e designers, graças às inovações tecnológicas ao nosso dispôr, estão já (e estarão no futuro) livres para expressar o seu próprio estilo de uma maneira mais fácil, independentemente das linhas orientadoras ou das tendências. Contudo, acreditamos que o que é fundamental são as proporções e o bom gosto, que permanecerão.

Haverá espaço e oportunidades para todos?

Acima de tudo, acreditamos que haverá sempre espaço para aqueles que têm o desejo e a habilidade de contar histórias através de grandes emoções. Com simplicidade, sem gritar.