Nascido em 1981, em Santa Catarina, no Brasil, Jader Almeida começou a ganhar experiência profissional trabalhando na indústria de mobiliário da região. Uns anos mais tarde viria a estudar arquitectura e urbanismo e logo após formado nesses estudos aceitava uma proposta de trabalho para a Lin Brasil. A editora de móveis Lin Brasil dedicada essencialmente à produção de mobiliário da autoria do arquitecto Sérgio Rodrigues, foi uma excelente oportunidade para Jader Almeida se inteirar da criatividade e dos processos de produção levados a cabo por um conjunto de arquitectos e designers brasileiros, todos eles reconhecidos pela sua qualidade de trabalho, pesquisa e desenvolvimento de técnicas.
Jader Almeida prosseguiu o seu caminho e, talvez da percepção que fez ao trabalho de Sérgio Rodrigues, decidiu também ele trabalhar com matéria-prima brasileira. A partir de 2004 começa a produzir as suas próprias ideias, sob a marca Sollos, sedeada em Santa Catarina. Na evolução do seu trabalho, outras matérias-primas foram surgindo com naturalidade, tal como por exemplo o aço. Concorrendo a uma série de concursos de design internacionais, os produtos de Jader Almeida são reconhecidos e premiados. O reconhecimento do seu trabalho deve-se em grande parte ao facto dos seus produtos revelarem uma elevada qualidade de produção e uma entidade estética sem sombra de dúvidas nova.
A partir deste ano de 2013, Jader Almeida é convidado para integrar a equipa de designers da marca alemã ClassiCon. Foi em Janeiro, durante uma reportagem no decorrer da imm em Colónia, na Alemanha, que deparámos com a cadeira Euvira de Jader Almeida para aquela conhecida marca.
Olhando agora para as suas cadeiras e mesas percebemos um gosto pela racionalidade, pela simplicidade geométrica e uma propensão para retirar das matérias-primas todas as suas genuínas elegâncias. Não nos parece existir no apelo estético encontrado nos produtos desenhados por Jader Almeida esse estafado estereótipo de um imaginário intemporal. Olhamos para eles e entendemos desenlaces que seguem um percurso natural, não só derivado pelas características estruturais dos materiais mas também pelo luxuriante imaginário orgânico de um país como o Brasil.

 

Quando começou o seu envolvimento com o design?
Costumo dizer que desde sempre.
Sempre gostei de saber o funcionamento das coisas, de desenhar e planear.
Mas, profissionalmente falando, foi no ano 2001 que comecei a realizar alguns projectos para industrialização. Nesse tempo, não eram projectos tão autorais, existiam muitos “ruídos” pela minha falta de experiência. No entanto, com o tempo fui (estou) aprendendo e afinando meu olhar e minha percepção acerca da estética das coisas.

Quais são as vantagens e as desvantagens de ter começado a trabalhar mais cedo do que é normal?
Não vejo desvantagens. Minha formação académica andou em paralelo com a prática, isso é muito positivo do ponto de vista profissional. O trabalho nunca foi limitador, sempre consegui realizar estudos, viagens etc.
Penso que em alguns casos isso possa atrapalhar a formação de um jovem, mas comigo não houve nenhum tipo de problema.

Porque decidiu ser designer?
Tudo ocorreu naturalmente.
Minha graduação superior é Arquitectura e Urbanismo. Trabalhar com design de produtos foi algo que ocorreu naturalmente, quase como aptidão. Ainda antes de entrar para a faculdade fiz alguns cursos técnicos que me deram bastantes bases. Somado à prática diária, os encontros, o contacto com profissionais da área etc…, minha visão acerca da estética dos objectos em geral foi modificando. Tudo isso deu-me a certeza de que devia seguir as minhas convicções.

A criatividade e a técnica nascem com o designer?
Isso é algo bastante difícil de abordar. Penso que a criatividade é algo intuitivo, particular de cada individuo. A técnica, é algo desenvolvido já que existem inúmeras facetas da técnica…

O adjectivo genial é cada vez mais empregue nos diferentes circuitos artísticos e profissionais. Há génios do design?
Acredito que há pessoas que pensam além dos seus contemporâneos. Estes, sim, criam um caminho que muitos outros seguirão.
No campo do design não é diferente, basta olharmos para trás que veremos grandes nomes, que hoje chamamos de mestres.

O seu trabalho com a Lin Brasil foi importante para si a que níveis?
Aprendi a perceber que os detalhes, são muitas vezes, determinantes num produto. Às vezes é algo quase imperceptível o que faz toda a diferença num projecto.

Gosta de trabalhar com matéria-prima brasileira. Esse gosto deriva de que tipo de motivações e que importância tem na sua produção?
Não me limito a isso. Gosto de pensar o design de forma global, não me prendo a estereótipos. Trabalho com inúmeros materiais em meus projectos.

A tecnologia que peso toma nos seus desejos de inovar e de oferecer soluções inovadoras?
Uso a tecnologia sempre que possível. Leia-se isso na pesquisa, matéria-prima, desenvolvimento etc.
Muitas vezes, algo que parece simples do ponto de vista formal, tem em sua confecção ou materiais o uso das últimas tecnologias disponíveis.
Aproprio-me dessas possibilidades, para garantir maior qualidade nos meus projectos.

Cresce profissionalmente com as marcas ou são elas que evoluem com as suas propostas?
Penso que há uma troca. O designer, por vezes se apropria de algo já existente, uma solução por exemplo. Noutros casos oferece soluções, outros pontos de vista ou desenvolve mesmo algo que agrega maior valor para as marcas. Acredito nessa dualidade, ambos fazem parte do processo não há como dissociar.

Como é que define o mercado de design brasileiro, quer em termos de produção quer numa perspectiva de consumo?
A produção nacional é bastante diversificada, o consumo está em ascensão. Há muitas pessoas que procuram produtos com conceitos de bom design, logo, o consumo se torna cada dia mais sólido.

O designer é reconhecido no Brasil como um profissional?
Sim, e nos dias actuais muitos jovens querem seguir a carreira de designer, em todos seus desdobramentos.

Sente que há alguma evolução dos comportamentos ao nível da produção e do consumo do design a nível mundial?
Percebo que os media têm ajudado na difusão da cultura do design. Isso faz com que toda a cadeia seja beneficiada, desde o fornecedor de matéria-prima até ao consumidor que tem maior discernimento na hora da escolha de um determinado produto.

Qual é a sua visão dos circuitos do design, no que se refere aos seus agentes e à competição existente entre profissionais e marcas?
Fomentar a prática e o exercício de qualquer assunto, em geral, sempre é muito construtivo. Já que se estabelece uma grande troca de ideias e de pontos de vista variados acerca do mesmo assunto.
Além de aproximar as pessoas envolvidas.

O que são as características diferenciadoras do seu trabalho?
A racionalidade e a simplicidade podem ser a definição do meu trabalho.

Como lida com o sucesso no seu percurso?
Não sou uma pessoa deslumbrada. Gosto de ouvir e prestar atenção no que dizem as pessoas acerca dos meus produtos. Projectos bem sucedidos, sempre servem de base para os próximos.

Em que projectos está neste momento a trabalhar?
Acabei de realizar um projecto de uma bicicleta para um evento. Foi algo bem interessante. Também, estou desenvolvendo alguns projectos de arquitetura de interiores.
A pesquisa e desenho de produtos é uma constante na minha rotina, e, alguns viram realidade…

Quais os desafios que perspectiva no seu futuro profissional?
Acredito que o grande desafio é manter-me curioso e sempre a aprimorar a percepção.

Para si design é…?
Atitude, quotidiano.

 

Entevista: Tiago Krusse
Fotografia: Cortesia de Jader Almeida

PUBLICADO NA EDIÇÃO 12