ARQUITECTURA: MSB ARQUITECTURA E PLANEAMENTO
TEXTO: TIAGO KRUSSE
FOTOGRAFIA: RUI GONÇALVES MORENO

 

A Casa Walworth tem uma localização fantástica sobre a cidade do Funchal, na Madeira. O projecto da MSB Arquitectura e Planeamento quis tirar o máximo proveito desta localização privilegiada, encaixando a casa num terreno marcado por um declive acentuado e harmonizando-a na sua envolvente natural. Os arquitectos Miguel Malaguerra, Susana Jesus e Bruno Martins conseguiram construir uma casa que causasse o menor impacto visual, quer no sítio como na percepção que temos dela à distância. No lote de terreno, com cerca de 2500 m2, revelam-se esses bons propósitos de uma integração suave, sem sobreposições ao terreno, uma harmonia das formas e dos volumes, e um equilíbrio entre área construída e jardim.

Do primeiro ao terceiro piso, a Casa Walworth foi pensada de forma a retirar proveito do terreno, no sentido de resguardar as áreas de maior privacidade e dotar o segundo piso, o espaço social da casa, de uma imensa janela aberta para a baía do Funchal.

Os elementos importantes para o projecto foram a topografia, o campo de golfe – a Norte – e a vista para o Funchal – a Sul. Estas foram as referências mais fortes para imaginar a casa, traçar o seu percurso e implantá-la. Ao nível do desenho, a Casa Walworth teve em conta todos os seus aspectos funcionais, que não foram entrave para algum experimentalismo. O grafismo do campo de golfe, existente a nascente, foi porventura o ponto de partida para as formas ortogonais da construção. Baseando-se num conjunto de regras construtivas, os arquitectos conseguiram criar uma inequívoca harmonia de proporções.

O lote apresenta um declive de 17 metros sobre a estrada e esse facto não demoveu os arquitectos de fugirem à tradicional abertura de um buraco com um muro de suporte para enfiar a casa. Para os três arquitectos essa seria uma solução simples e esteticamente fraca, daí terem partido para um desafio de construção mais exigente mas com um resultado mais elegante e ao mesmo tempo seguro.

O experimentalismo referido está associado às assimetrias da casa e através delas percebem-se as engenharias adoptadas, que permitiram alcançar uma boa construção.

Destaca-se a presença forte do elemento relva, que não só retira o impacto construtivo ao local mas também reforça o contraste entre a casa e o jardim. Mas a relva está também presente na cobertura, é como se fosse o seguimento de um novo buraco do campo de golfe a nascente.

No interior da Casa Walworth são as madeiras, faia e plátano, e a iluminação que dão um sentido de espectáculo a um ambiente tranquilo e inspirador. Os três pisos, com as corridas fachadas em vidro, permitem tirar total proveito das vistas.

Em termos de isolamento térmico e acústico foram feitos um projecto que teve em conta a escolha do vidro para os perfis e os espaços foram devidamente isolados. Manteve-se assim a tranquilidade num local calmo e sossegado por natureza.